A influenciadora e advogada Deolane Bezerra voltou ao centro das investigações policiais após a Polícia Civil de São Paulo revelar novos detalhes da operação que apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
Segundo as autoridades, a investigação começou ainda em 2019, após agentes encontrarem fragmentos de uma carta parcialmente destruída dentro do sistema de esgoto de um presídio em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. O documento havia sido rasgado e descartado, mas passou por um longo processo de reconstrução realizado pela perícia técnica.
De acordo com o secretário de Segurança Pública de São Paulo, delegado Nico Gonçalves, os investigadores conseguiram “ressuscitar” o documento após secar e reconstruir os pedaços encontrados no esgoto. A carta continha referências a movimentações financeiras, ordens internas da facção e informações sobre uma transportadora suspeita de operar para o grupo criminoso.

Transportadora levou investigadores até o esquema
A partir das informações presentes no manuscrito, a polícia passou a investigar uma transportadora apontada como empresa de fachada utilizada para lavagem de dinheiro do crime organizado. Após quebra de sigilos bancários e análise financeira, os investigadores identificaram movimentações consideradas suspeitas envolvendo contas e empresas ligadas a Deolane Bezerra.
Segundo o Ministério Público, o esquema envolvia empresas com endereços considerados fictícios, além de movimentações incompatíveis com a renda declarada dos investigados. A polícia também afirma que empresas ligadas à influenciadora apresentariam características típicas de lavagem de dinheiro.

Prisão, bloqueio milionário e carros de luxo
Deolane foi presa durante operação realizada em São Paulo. A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 27 milhões em bens e contas associados à influenciadora.
Durante a investigação, veículos de luxo também passaram a ser alvo das autoridades. Entre os bens monitorados estão modelos de alto padrão como Lamborghini e McLaren, além de aeronaves e imóveis avaliados em milhões de reais. Segundo os investigadores, os bens seriam incompatíveis com os rendimentos oficialmente declarados.
A polícia afirma que a influenciadora seria parte de um núcleo financeiro utilizado para movimentar e ocultar recursos ilícitos da organização criminosa. As autoridades também investigam outros empresários e operadores financeiros ligados ao grupo.
Defesa nega acusações

A defesa de Deolane Bezerra nega qualquer envolvimento da influenciadora com organizações criminosas e afirma que todas as movimentações financeiras possuem origem legal e serão esclarecidas no decorrer do processo.
A investigação segue em andamento e novos desdobramentos não estão descartados pelas autoridades paulistas.
Fonte: G1 São Paulo, UOL Notícias e Veja
Fotos: Reprodução/Redes Sociais
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