O modelo “Adote um Ponto de Ônibus” vem ganhando força em diversas cidades brasileiras como alternativa para melhorar a infraestrutura urbana sem aumentar os gastos das prefeituras. O projeto permite que empresas privadas assumam os custos de construção, revitalização, limpeza e manutenção de abrigos de transporte coletivo em troca do direito de utilizar espaços publicitários nos locais.
A proposta tem sido considerada uma solução prática para unir o interesse público à iniciativa privada, oferecendo mais conforto, segurança e qualidade para quem utiliza o transporte coletivo diariamente.
Em cidades onde o programa foi implantado, os resultados mostram redução significativa nos custos de manutenção urbana e melhoria na conservação dos pontos de ônibus.
Na cidade de Sinop, no estado do Mato Grosso, mais de 150 pontos foram disponibilizados para adoção por empresas. O município deixou de arcar com despesas frequentes de manutenção, pintura, troca de estruturas danificadas e limpeza dos abrigos.
Já em Cascavel, no Paraná, o programa “Adote um Abrigo de Ponto de Ônibus” permitiu que empresas assumissem diretamente a conservação dos espaços. A prefeitura passou a economizar recursos com mão de obra, materiais e manutenção periódica.
Na cidade de Bombinhas, em Santa Catarina, empresas participantes garantiram publicidade nos abrigos por até 24 meses e isenção de algumas taxas municipais ligadas à propaganda. Em troca, os patrocinadores ficaram responsáveis pela instalação e manutenção dos pontos.
Em Vinhedo, no interior de São Paulo, a proposta incentivou empresários locais a participarem diretamente do desenvolvimento urbano e da conservação dos espaços públicos.
Outras cidades brasileiras também implantaram ou aprovaram programas semelhantes, entre elas:
• Campo Grande – Mato Grosso do Sul
• Brusque – Santa Catarina
• Torres – Rio Grande do Sul
• Juiz de Fora – Minas Gerais
• Olímpia – São Paulo
• Varginha – Minas Gerais
•QUANTO A PREFEITURA ECONOMIZA?
A economia varia de acordo com a quantidade de pontos, o nível de vandalismo e o modelo de contrato adotado por cada cidade. A redução de custos acontece principalmente em duas frentes:
•Custo Zero de Instalação
Cada novo abrigo moderno, com cobertura, assento e acessibilidade, pode custar entre R$ 10 mil e R$ 25 mil, dependendo dos materiais utilizados e da tecnologia instalada. Quando uma empresa adota o ponto, a prefeitura deixa de desembolsar esse valor.
•Gastos com Manutenção
Prefeituras de médio porte podem gastar entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões por ano apenas com limpeza, pintura, troca de vidros quebrados e retirada de cartazes irregulares dos pontos de ônibus. Com o programa, esses custos passam a ser responsabilidade da empresa parceira.
Além da economia direta, o município também ganha com a valorização estética da cidade e, em alguns modelos de concessão, pode receber percentual da receita obtida com publicidade nos abrigos.
Em Paranaguá, o tema também entrou em debate político recentemente. O vereador Marcelo Peke apresentou um projeto muito parecido com os modelos já adotados em diversas cidades do Brasil. No entanto, a proposta não foi aprovada após entendimento de que seria inconstitucional, segundo posicionamento do prefeito Adriano Ramos.
Dias depois, a Prefeitura apresentou uma proposta semelhante, o que acabou gerando questionamentos e um desalinhamento político sobre a autoria da iniciativa.
Mas, diante da discussão, fica também o questionamento da população: quem perde com tudo isso? Um projeto como esse pode ajudar diretamente quem utiliza os pontos de ônibus todos os dias para se proteger do sol, da chuva e do frio.
Em várias cidades brasileiras, o modelo já mostrou resultados positivos tanto para o poder público quanto para os usuários do transporte coletivo. Por isso, muitas pessoas defendem que, independentemente de quem apresentou primeiro a ideia, o mais importante é que o projeto funcione e traga benefícios reais para a população.
Se for algo bom para o povo, que venha e mostre que a parceria entre o poder público e a iniciativa privada realmente pode valer a pena, trazendo mais conforto, segurança e dignidade para quem depende do transporte público diariamente.
NA RUA. NA REDE. EM TODO LUGAR – OS BAGRINHOS

