Uma investigação da Polícia Federal trouxe à tona um suposto esquema de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras suspeitas envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. De acordo com informações divulgadas pela Polícia Federal do Brasil o sistema teria sido estruturado com empresas intermediárias, contratos simulados e repasses sucessivos de recursos para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Segundo os investigadores, o funcionamento do esquema pode ser compreendido em etapas.
- Origem dos recursos
O dinheiro partiria de empresas ligadas ao próprio grupo financeiro. Uma das citadas nas investigações é a Super Participações e Empreendimentos, apontada como ponto inicial de distribuição dos valores.
- Transferência para empresas intermediárias
A partir daí, os recursos seriam enviados para empresas de consultoria e prestação de serviços. Entre elas aparece a Varajo Consultoria Empresarial. Essas empresas funcionariam como intermediárias, recebendo os valores e posteriormente repassando o dinheiro a outras pessoas ou empresas.
- Uso de contratos para dar aparência legal
Para justificar as transferências, os pagamentos eram registrados como serviços de consultoria ou assessoria empresarial. De acordo com a investigação, muitos desses contratos são suspeitos de serem apenas formais, ou seja, criados para dar aparência legal às movimentações financeiras.
- Distribuição dos valores
Depois de passar pelas empresas intermediárias, parte do dinheiro teria sido direcionada a pessoas ligadas ao grupo responsável por executar as operações. Entre os citados está Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”, apontado como integrante de um núcleo que receberia pagamentos mensais e bônus.
- Suspeita de ligação com servidores públicos
A investigação também aponta que servidores ligados ao Banco Central do Brasil teriam prestado consultorias informais ao banco, recebendo pagamentos por meio desses contratos. Essa situação levantou suspeitas de conflito de interesses e possível enriquecimento ilícito.
Como funcionaria a estrutura do esquema
De forma simplificada, o modelo investigado funcionaria da seguinte maneira:
- o dinheiro saía de empresas ligadas ao grupo financeiro
- era transferido para empresas intermediárias
- contratos de consultoria justificavam os repasses
- os valores eram redistribuídos a pessoas e grupos envolvidos
- as múltiplas transferências dificultavam o rastreamento da origem do dinheiro.
As investigações ainda estão em andamento e buscam esclarecer o papel de cada envolvido, além de determinar se houve crimes financeiros, corrupção ou lavagem de dinheiro no caso.

